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Jan 09

 

 

Será que podemos afirmar a Mentalidade Mítica como algo distante, característico do Homem Primitivo?

 

Não esqueçamos que o Mito surge devido à incompreensão humana perante o Mundo, quando o seu conhecimento e experiência não são suficientes para comprovar algo em que acredita.

Não será, no entanto, necessário enveredar por diversas culturas para descobrir esta versão fantasiosa da realidade, basta recuar uns séculos na história nacional até à época dos descobrimentos portugueses.

 

 

No início do século XV, o conhecimento europeu relativamente ao Mundo era muito reduzido, chegando a ignorar a existência de continentes. Assim, tomavam como verdadeiras inúmeras lendas, levando a que aumentasse o receio do desconhecido e que se acreditasse cegamente nos mais fabulosos seres.

Além da crença em terras inóspitas, ninguém duvidava que existissem dragões que cuspissem fogo, cavalos com asas e um corno na testa, feras monstruosas com partes de touro, águia e leão, que imitavam as vozes das pessoas e que matassem com um simples olhar. Mas a fantasia não se ficava por aqui. Também haveria homens sem cabeça, com olhos e boca no peito, com apenas um pé e de dimensão descomunal, cabeças de forma animal, orelhas tão grandes que permitiam voar…enfim, mitos intermináveis.

Claramente podemos chamá-los de mitos, uma vez que, permitiam que o Homem depositasse o seu medo perante o desconhecido e que, através da transmissão oral, acabavam por tornar-se a verdade. 

 

 

Entre muitos desses mitos, nasce o Adamastor. A sul do Cabo Bojador erguia-se um conjunto de lendas relativamente a esse mundo desconhecido, transparecendo o mistério que envolvia esses lugares e o medo perante o que havia para além desse cabo.

Após tentativas frustradas, várias naus destruídas – o que conferia veracidade às profecias do Adamastor, os portugueses insistem em recusar esses mitos e chegam ao Cabo das Tormentas, que carregava um grande poder mitológico e, do qual dependia a chegada dos portugueses à Índia por via marítima.

Adamastor, baseado na mitologia helenista, representava as forças da Natureza – sob a forma de tempestade –, destruía todo aquele que ousasse invadir os seus domínios e desfazia-se em lágrimas, levando ao encontro dos oceanos Índico e Atlântico. Este gigante seria filho de Terra e ter-se-ia revoltado contra Zeus.

Esta figura representa a oposição face à audácia e valentia dos navegadores portugueses, que seguiam “por mares nunca dantes navegados”.

postado por LACCAP às 15:43

comentário:
Os portugueses foram tão longe
Que às vezes perderam a própria luz
Algures nos campos de Alcácer Quibir
Perdemos a luz própria e a própria luz.

"Os Demónios de Alcácer-Quibir"

O D. Sebastião foi para Alcácer-Quibir
de lança na mão a investir a investir
com o cavalo atulhado de livros de história
e guitarras de fado para cantar vitória

O D. Sebastião já tinha hipotecado
toda a nação por dez reis de mel coado
para comprar soldados lanças armaduras
para comprar o "V" das vitórias futuras

O D. Sebastião era um belo pedante
foi mandar vir para uma terra distante
pôs-se a discursar: isto aqui é só meu
vamos lá trabalhar que quem manda sou eu

Mas o mouro é que conhecia o deserto
de trás para diante e de longe e de perto
o mouro é que sabia que o deserto queima e abrasa
o mouro é que jogava em casa

E o D. Sebastião levou tantas na pinha
que ao voltar cá (aí) encontrou a vizinha
espanhola sentada na cama deitada no trono
e o país mudado de dono

E o D. Sebastião acabou na moirama
um bebé chorão sem regaço nem mama
a beber a contar tim tim por tim tim
a explicar a morrer sim mas devagar

E apanhou tal dose do tal nevoeiro
que a tuberculose o mandou para o galheiro
fez-se um funeral com princesas e reis
e etcetera e tal, Viva Portugal

(Sérgio Godinho, "De pequenino se torce o destino", 1976)
Jotelpe a 16 de Janeiro de 2009 às 14:27

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