19
Jun 09

A ficção tornou-se realidade e ao Homem parece nada ser impossível. Os únicos limites apontados à ciência são os que ela própria encerra, decorrentes de conhecimentos ainda não plenamente desenvolvidos e capacidades ainda não totalmente dominadas. Mas estes limites são sempre provisórios e ultrapassáveis.

O Homem continua assim com e pela ciência, gozando das inovações que quase diariamente ela lhe proporciona, acreditando no seu potencial benéfico, investindo no seu fomento, aceitando-a como o indiscutível e dogmático factor do seu próprio desenvolvimento.

A vontade de ir sempre além e conquistar sempre mais tem vindo, desde tempos imemoriais, a contamina-lo e por isso o uso de algumas descobertas científicas, vieram demonstrar que a ciência nem sempre se faz a favor, mas algumas vezes contra o Homem.

 

Conta uma lenda que um homem, gananciosamente, matou o seu ganso que punha ovos de ouro, pensando que podia extrair todos os ovos do seu interior. Tais actos disparatados têm sido cometidos actualmente. Ao explorar desmesuradamente a Natureza retirando dela as matérias-primas e o seu sustento, o Homem cria desequilíbrios desastrosos colocando em perigo não só o que o rodeia mas a si mesmo. Não podemos culpar a ciência e a técnica por isso! Os culpados são aqueles que aplicam as descobertas científicas sem discernimento.

Quando o homem interfere indevidamente na Natureza, ela reage desfavoravelmente e os problemas surgem. Isto não acontece apenas por retirarmos dela aquilo (ou mais do que aquilo) que precisamos para viver, o simples facto de caminharmos sobre o planeta está a provocar, ainda que lentamente, a sua morte. Vejamos o exemplo: o automóvel foi uma invenção magnífica! Permite, hoje em dia, que a deslocação entre dois pontos distantes se torne rápida e confortável! Como o automóvel também é o comboio, o metro, o avião e o navio. No entanto todas estas geringonças contribuem para o aumento da concentração de dióxido de carbono na atmosfera, o que sabemos ser extremamente nocivo ao ambiente. Temos a capacidade de criar e portanto temos de assumir responsabilidades por tudo aquilo que nos rodeia de modo a não causar a sua destruição! É importante deixar a ambição, a cobiça e a avidez de lado e reflectir um pouco sobre que limites colocar aos nossos actos.

 

Sempre em busca de grandes feitos e notoriedade, nós, seres egoístas, acabamos por transformar a ciência (que deveria ser utilizada para o bem maior, para o aperfeiçoamento da condição humana e para o aumento da nossa qualidade de vida) numa arma de aniquilação. Além de desafiarmos o planeta, além de ousarmos interferir na biodiversidade chegamos ao ponto de utilizar a ciência para matar.

Einstein acreditava que pela fissão ou fusão de núcleos atómicos se poderia libertar uma energia gigantesca mas nunca imaginou que viesse a acontecer uma Segunda Guerra Mundial onde essa energia fosse utilizada para fins de destruição maciça. Passou a encarar o seu trabalho com energia nuclear como um dos maiores erros da sua vida embora saibamos ser genial, a sua utilização sim foi imperdoável. A energia nuclear é utilizada hoje como meio de evitar o gasto de combustíveis fósseis reduzindo o impacte ambiental sendo portanto benéfica, mas nunca se esquecerão as mais de 200 mil pessoas mortas pela bomba atómica…

Posto isto, uma questão se levanta. Terá o Homem a capacidade de arcar com tamanha responsabilidade? Será seguro tamanho poder nas nossas mãos? Será o Homem capaz de distinguir o “bem” do “mal” utilizando a sua inteligência sem colocar o outro em risco? Diríamos que não… porque apesar da evolução ser facilmente observável, apesar de tudo se encontrar numa constante mudança, o espírito humano permanece o mesmo…

 

Considerando-se o ser supremo, o Homem tem vindo a ameaçar todo o equilíbrio que o rodeia, todas as leis biológicas, e prepara-se agora para se colocar no lugar de Deus e criar o sobre-humano remexendo aquilo que caracteriza cada um de nós – o património genético!

Um dos problemas mais controversos da actualidade é a manipulação genética. Partindo da manipulação de características até à clonagem de plantas, animais e quem sabe humanos estamos a assumir um controlo impensável sobre toda e qualquer célula! Será aceitável a criação artificial de seres vivos?

 

Os avanços científicos no campo da saúde têm, como já vimos, vindo a melhorar consideravelmente a longevidade do ser humano. Quem sabe não encontraremos dentro de pouco tempo a cura para o cancro ou a SIDA? No entanto, quem nos garante que os avanços neste campo ainda um pouco desconhecido da genética não nos levarão ao fim? Não sabemos se o consumo de alimentos transgénicos nos causarão a longo prazo mutações na nossa própria constituição, não sabemos se ao manipular características de plantações estaremos a intervir na biodiversidade e nos sistemas de forma irreversível podendo levar à morte de espécies animais e vegetais, não sabemos! Já existem alimentos transgénicos no mercado e a maioria da população não sabe sequer o que eles são! Mais controverso que este, é o tema da clonagem. A possibilidade de um dia ser possível clonar seres humanos assusta-nos… E mais do que a cópia de uma identidade ou a substituição de um ser até então único surge-nos na mente a hipótese da criação industrial de seres humanos com o objectivo de desempenhar funções bélicas ou até mesmo da criação de um super-humano, um ser com características físicas e intelectuais minuciosamente escolhidas pelo seu criador.

 

Um outro grave problema é a realização de testes laboratoriais em animais a fim de criar ou melhorar técnicas e produtos. O uso de animais como cobaias ocorre desde muito cedo. Estima-se que a utilização de animais em actividades científicas e didácticas exista desde o século V a.C., tendo iniciado provavelmente com os estudos de Hipócrates. Nos séculos XVII e XVIII os cientistas passaram a usá-los com maior frequência na busca de solucionar problemas de saúde humana. Certo é que cada vida é uma vida independentemente da complexidade do ser que a suporta e por isso uma grande questão ética surge: será viável a utilização de animais em testes laboratoriais com o fim de melhorar o conhecimento e a condição humanos?

Como foi publicado pela Unesco em 1978: “Cada animal tem direito ao respeito; e o Homem, enquanto espécie animal, não pode atribuir a si próprio o direito de exterminar os outros animais, ou explorá-los, violando esse direito. Ele tem o dever de colocar a sua consciência a serviço dos outros” (Artigo 2º); Não menos importante é o artigo 8º: “A experimentação animal, que implica sofrimento físico, é incompatível com os direitos do animal, quer seja uma experiência médica, científica, comercial ou qualquer outra.”

 

É por isso importante dizer que é necessário impor limites à ciência! É urgente impor limites ao Homem! É fundamental preservar a nossa identidade face ao perigo eminente da nossa artificialização.

Na antiguidade a curiosidade humana era castigada e quem sabe não seremos castigados também pela nossa ousadia extrema? Prometeu, roubou o segredo do fogo aos deuses para dar aos homens e acabou amarrado a uma rocha com uma águia que todos os dias lhe comia parte do fígado, Ícaro não se contentou em voar baixo e as suas asas acabaram por derreter, Pandora abriu a caixa e espalhou os males pela terra, na Bíblia por se alimentarem da árvore do conhecimento Adão e Eva foram expulsos do paraíso. Quando avançamos em território desconhecido é portanto importante caminhar cuidadosamente avaliando com responsabilidade e bom senso as consequências.

 

 

postado por LACCAP às 17:28

A Ciência torna-se realmente o tudo! No Renascimento a arte e ciência deixaram de concentrar-se no estudo de Deus para se concentrarem no conhecimento do Homem. Para conhecer a forma perfeita do seu corpo, muitos artistas dissecavam cadáveres e efectuavam minuciosos estudos anatómicos a fim de reproduzir com fidelidade os membros, músculos, expressões faciais…

A dissecação, apesar de na época ser proibida pela Igreja, era necessária porque a ciência se baseava na experimentação. Muitos ousaram analisar o corpo humano, criando mapas das veias, artérias, sistema nervoso e circulatório, mas a sua curiosidade tinha um preço, acabando por ser condenados à fogueira.

No entanto, a olho nu não éramos capazes de desvendar todos os mistérios, assim ao combinar o efeito de lupas, lentes e cristais, o Homem criou o microscópio, o instrumento que nos levou ao interior das células.

Hoje em dia a Medicina está de tal forma avançada que permite realizar coisas impensáveis. Teria alguma vez o Homem imaginado substituir um dos seus órgãos ou algum dos seus membros? A perspectiva de salvar vidas através da colocação de partículas biónicas no ser humano, como um coração ou a reconhecida mão são factos que engrandecem a nossa espécie e nos mostram a nossa incomensurável capacidade criativa.

A grande luta na área da saúde sempre foi o factor doença. Actualmente, com a administração de antibióticos e vacinas, muitas delas, que outrora espalhavam a morte e o medo, tornaram-se inofensivas. Actualmente trabalha-se, por exemplo, para se conseguir produzir vacinas comestíveis incorporadas em órgãos vegetais manipulados geneticamente, o que poderá tornar as vacinas mais baratas e seguras.

Já que foi referida a capacidade incrível que o ser humano conquistou de interferir em partículas aparentemente invisíveis, alterando a informação genética, é importante focar a curiosidade humana inerente a todas as descobertas.

Para descobrir como certas características se mantinham de geração em geração um monge (Gregor Mendel) realizou experiências com ervilheiras. Mais tarde, outros estudiosos acabaram por desenrolar uma molécula – o DNA. Actualmente este e outros termos já fazem parte do nosso quotidiano como genes, manipulação genética, alimentos transgénicos, eugenia, clonagem, anomalias hereditárias… A Genética abre-nos as portas ao conhecimento. Que mais existirá nos recônditos do próprio ser? O que nos ensinará uma célula, uma molécula, um átomo num futuro próximo?

 

 

 

O conhecimento humano não se deixa ficar pelo seu corpo.

Desde que iniciou o seu povoamento na Terra, o Homem deixou-se guiar pelos astros, pelo Sol e pela Lua. Dispensava momentos intermináveis a observar o brilho das estrelas e as mudanças lunares, a divagar na procura de explicação para a movimentação do Sol…Foi elaborando teorias, deixando-se levar pelo ambiente de mistério e pela incomensurável curiosidade que o Céu lhe despertava.

Graças ao desenvolver da ciência e da técnica, construímos instrumentos complexos para descobrirmos marcas da origem do Universo e daquilo que nele existe. Descobriram-se estrelas, cometas, asteróides, muitos outros planetas, o Sistema Solar, galáxias… O Homem embrenhava-se no infinito, no Universo!

À medida que o conhecimento daquilo que nos transcende ia aumentando, uma vontade crescia no Homem: pisar o seu satélite natural – a Lua, descobrir novas formas de vida fora da Terra e procurar o início, a origem.

O “pequeno passo para o Homem mas grande para a Humanidade” chegou em Julho de 1969 pela nave Apolo 11. De dia para dia o ser humano ia quebrando os seus próprios limites, ia crescendo em si a ideia de imponência e superioridade.

A conquista do espaço, apesar de dispendioso e incerta, continua a inundar inúmeros corações humanos que sonham conhecer outros seres e colonizar outros lugares, vaguear pelo indeterminável e alcançar as estrelas!

Pelo menos a história ensinou-nos que não somos tão únicos e irrepetíveis como pensamos, apenas vulgares. Já acreditamos que éramos o centro do Cosmos, agora temos noção que nada somos mais que um ponto minúsculo algures numa Galáxia! Apenas corpos atraídos ao seu planeta e que o acompanham nos seus movimentos… tudo devido à existência de forças gravíticas, devido ao aparecimento de um Homem que se questionou sobre um acontecimento banal: Isaac Newton. Sentado sob uma árvore, algo lhe cai sobre a cabeça, uma maçã…por que motivo os corpos caíam para o solo e não noutra direcção? Este mostrou-nos o poder da pesquisa e do esforço, a curiosidade do Homem na procura de ciência e para compreender o que o rodeia, edificando o saber e incentivando o outro a procurar, a querer e a tentar.

 

São incontáveis as aplicações que derivam da descoberta científica que acabaram por modificar as nossas rotinas e a nossa própria existência.

Já dizia Thomas Edison: “Primeiro averiguo o que as pessoas precisam. Depois, trato de inventá-lo” - isto é o objectivo de toda a pesquisa e inovação científica, colocar o aumento do conhecimento e satisfação pessoal aos pés das necessidades da sociedade.

A lâmpada, o telefone, a imprensa, o comboio, a rádio, o avião, a televisão, a World Wide Web…esta evolução tecnológica provocou mudanças nas formas de trabalho e relacionamento, tornando mais cómoda a vida humana. Catástrofes, guerras, eventos musicais e desportivos podem ser conhecidos simultaneamente por inúmeras pessoas e pelas mais diversas culturas. Se há milhares de anos os grupos tribais se reuniam à vota da fogueira, observando o fogo, o homem contemporâneo reúne-se à frente dos meios de comunicação, da ciência que criou.

 


03
Jun 09

Não só os deuses desejaram o saber. Na terra, ainda vivendo em cavernas, o homem lutava para se adaptar ao meio desvendando os seus segredos. O primeiro invento e um dos mais decisivos realizados pelo homem pré-histórico foi a produção de fogo friccionando dois pedaços de madeira. Desde aí, tornou-se imparável destacando-se por entre as demais espécies. Tornou-se um ser urbano e civilizado e surgiu a necessidade de inventar a escrita e a moeda.

O papiro e os hieróglifos, por exemplo, são ainda admirados e demonstram o quão avançada era a civilização egípcia. Para além deles, possuíam altos conhecimentos científicos, matemáticos e astronómicos (basta olharmos a mumificação e a construção exactíssima das pirâmides).

Ao contrário deles, que devido à necessidade desenvolveram a sua agricultura criando arados e calendários agrícolas, as civilizações Incas, Mais e Astecas não conheciam a roda nem o arado e não domesticavam animais. No entanto, e por incrível que pareça, possuíam avançados conhecimentos de astronomia e matemática que lhes permitiram determinar com uma exactidão notável o ano lunar e solar e a trajectória de Vénus criando um calendário muito semelhante aquele que utilizamos hoje.

Uma outra civilização que não podemos deixar de referir nasceu na costa do mar Egeu. Os Gregos edificaram uma nova ideia do homem que tem por base a autonomia, a liberdade e a constante vontade para desvendar as leis da Natureza. Nasceu assim a democracia, a literatura, a filosofia e a arte segundo um conceito que ainda hoje vivemos.

O poder humano assentava apenas em conhecer o que o circundava, o homem não só explorava mas também conquistava. Templários, Romanos, Vikings…desenvolveram as artes da guerra. Batiam-se com força e destreza para demonstrar a sua superioridade sobre o outro apossando-se de territórios e riquezas.

Herói era aquele que com o gume da sua espada e a coragem do seu coração enfrentava o inimigo até ao fim das suas forças, até à morte. Se os deuses determinassem o seu fim morreria da forma mais honrosa: pelos seus ideais, pela sua pátria.

O poder vivia na força pura, na arte de combater e na vontade de vencer, de ir mais além. Hoje essa vontade prevalece mas o poder, esse encontramo-lo no brilhar de uma estrela, na vida de uma célula, na agitação de um átomo. A ciência tornara-se o tudo.

 


23
Abr 09

 

 

A todos aqueles que tiverem a possibilidade, solicitamos a presença naquele que será um espaço onde se confrontarão diversas posições relativamente ao desenvolvimento científico e onde terá lugar um aceso diálogo acerca dos riscos e implicações éticas que poderão advir desta insaciável vontade que o Homem revela de querer cada vez mais… “Terá esta evolução um limite?”, “Será positiva?”, “Poderá chegar-se a um consenso entre a religião e a ciência?”; “Poderá a ciência metamorfosear-se e passar de “deusa” a “demónio” conduzindo à aniquilação do seu criador, o humano?” – estas e outras questões serão discutidas, tendo a participação de alunos do curso de Ciências e Tecnologias da nossa escola, de um representante da Igreja Católica – O Pe. José Ferreira – e do Professor Doutor Daniel Serrão. O Professor Adriano Basto será o responsável pela moderação do debate.                 

Poderão esclarecer as vossas dúvidas e desenvolver o vosso espírito crítico, ajudando-nos na busca de respostas no que concerne a este controverso assunto.         
 

                Contamos com a vossa colaboração!

O grupo de Trabalho

 

postado por LACCAP às 15:25

06
Mar 09

Sombras nocturnas, criaturas de temperamento inconstante que se movimentam por entre as trevas e desaparecem com o surgir da aurora. Estes seres espalham assombro e fascínio e põem termo à condição mortal, uma vez que, necessitam de sangue, de vitalidade, para prosseguirem a sua jornada eterna sob os caminhos do mundo. São eles: os bebedores de sangue ou, na vulgar e magnetizante palavra, Vampiros.

 

"The vampire is the night-prowling symbol of man's hunger for - and fear of - everlasting life...The mixture of attraction and repulsion...is the essence of the vampire concept."

Margaret Cárter

 

                Acredita-se que estas criaturas da noite surgiram de cultos obscuros de sociedades orientais, através do Deus da Morte do Nepal, do Lúcifer do Tibete e do Deus do Tempo mongol. Mas com o passar de caravanas nas rotas comerciais do Mediterrâneo, as histórias alcançaram a Grécia, os Balcãs, a Hungria e a famosa Transilvânia (Roménia).

Exemplos dos primeiros mitos de vampiros pertencem às civilizações Egípcia e Grega. O povo egípcio, além de acreditar fielmente na vida pós-mortal, acreditava que estes podiam regressar na forma de vampiros. Essa crença é suportada pelo aparecimento de Sekhmet, a deusa que encarnava o desejo de ingerir sangue humano. Na Grécia antiga existia o mito de Lamia, palavra que ainda hoje significa sugador de sangue.

Entretanto havia surgido a religião Cristã, a religião monoteísta. Com o aparecimento do Cristianismo, a definição de mal sofre certas alterações. Com toda a força concentrada num único ser, o mal assume fraqueza, submissão. Os Vampiros, símbolos de sedução, possessão e morte, são tornados os mestres do pecado juntamente com os alquimistas, feiticeiras e ateus, ou seja, todos se tornam alvos a perseguir e destruir, alvos da Inquisição. Mesmo assim, as semelhanças entre o Cristianismo e o Vampirismo são bastante relevantes. Para começar temos o aparecimento de mitos de origem dos vampiros associados à Bíblia.

         - Anteriormente a Eva, Deus teria criado uma outra mulher para Adão: Lilith. No entanto, esta recusava assumir uma atitude de submissão perante o seu marido, o que conduziu à sua expulsão do suposto paraíso, de Éden. Junto do Mar Vermelho, Lilith foi transformada num monstro nocturno após realizar um pacto com demónios. Assim, esta iniciou uma caça aos filhos de Adão e Eva, matando-os após o nascimento e devorando toda a vida de seus corpos. Mais tarde, Caim mata o seu irmão por ciúme e, enquanto reflectia sobre o seu acto, este encontra Lilith que o alicia e lhe mostra o poder reunido nas nossas veias, mostra-lhe o sangue. Juntos dão origem a demónios e a bebedores de sangue, originam os vampiros. -

            Outro aspecto coincidente reside no acto da comunhão. Cada vez que se deslocam até à missa, milhões de católicos bebem o vinho e ingerem a hóstia, que personificam o corpo e o sangue de Cristo. Com isto, acreditam que alcançarão a vida eterna. Ironicamente ou não, na crença actual, o vampiro necessita de ingerir sangue para salvar na sua imortalidade. Em ambos temos o sangue como essência de todas as criaturas, como símbolo de vida e passe para a eternidade.  

Com o decorrer das eras, inúmeros mitos e lendas sobre criaturas que se alimentavam de seres humanos ou apenas se saciavam no seu sangue sobreviveram e foram transmitidos. Entre os mitos medievais encontramos a condessa que se banhava no “elixir” da juventude, Elizabeth Bathory (banhava-se no sangue de jovens e belas raparigas que assassinava); o homem que ansiava saborear sangue – John George Haige; o estranho cadáver de Arnold Paole… Mas, com o início de um novo século, a figura vampírica abandonou a mitologia e aventurou-se pela literatura, pelo fantástico. Vários autores conduziram e conduzem esta criatura até ao nosso imaginário, erotizam-na e fazem-na despertar em nós o sonho. Alteraram-na, tornaram-na apetecível e fascinante, levando-a a aventurar-se por Hollywood. Entre estes autores destacam-se a novelista Anne Rice (Entrevista com um Vampiro), Bram Stoker (Conde Drácula), John Carpenter e, mais recentemente, Stephenie Meyer (Ciclo da Luz e Escuridão).

Anteriormente, descreviam-nos como seres que envergavam as roupas do seu funeral, ligeiramente deteriorada, a ocultar uma figura cadavérica e uma tez escura e sanguinária. A criatura mitológica é um ser imperdoável e vingativo sendo por isso difícil de compreender esta figura se tornou um dos seres mais sensuais do fantástico. Os vampiros chegam mesmo a possuir uma aura de romantismo e compaixão que se eleva ao estatuto de besta demoníaca que lhe era conferido. Apesar de toda esta transformação, o vampiro da contemporaneidade continua a possuir aquela característica invejável (ou não) que nos fascina intemporalmente… a imortalidade.

 

Imortalidade… Sim, este ser mítico surge para atenuar a maior fraqueza humana: o medo da morte. Basta um ser fascinante e hostil cravar os seus invulgares dentes no nosso pescoço para sermos convidados a viver indeterminadamente. A aurora torna-se invisível aos nossos olhos, a noite dá-nos vida e todos os nossos sonhos esperam concretização. Esquecemos a palavra efemeridade e abraçamos outra que parecia inacessível, abraçamos a eternidade.

 

Mas serão os vampiros reais?

Os vampiros do séc. XXI são bastante diferentes dos que conhecemos dos mitos da antiga Roma e da Transilvânia, e até mesmo dos que se nos apresentam no cinema. Uma versão mortal e menos fantasiosa do mito vagueia pelas ruas, existe.

Embora não se transformem em morcegos nem tenham medo de crucifixos, indivíduos que se auto-intitulam vampiros possuem a necessidade de beber sangue.

Don Henrie, um assumido vampiro afirma beber sangue e diz, numa entrevista dada à National Geographic ( http://www.youtube.com/watch?v=mrmiTsboUe8&NR=1 ), existir uma comunidade de indivíduos que se saciam bebendo sangue humano embora não cacem as suas presas como conta o mito.

 

Mas tratar-se-á esta prática de uma necessidade psicológica? Emocional? Metabólica? Várias teorias se levantam embora se desconheça ainda a verdadeira origem dos vampiros modernos. No entanto, estes vampiros actuais optam por viver nas sombras da sociedade, receando as atitudes de exclusão e as superstições que o homem comum possa tecer à sua volta.

 


Junho 2009
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10
11
12
13

14
15
16
17
18
20

21
22
23
24
25
26
27

28
29
30


Somewhere Over the rainbow


pesquisar neste blog
 
Na gaveta!!
links