23
Abr 09

 

 

A todos aqueles que tiverem a possibilidade, solicitamos a presença naquele que será um espaço onde se confrontarão diversas posições relativamente ao desenvolvimento científico e onde terá lugar um aceso diálogo acerca dos riscos e implicações éticas que poderão advir desta insaciável vontade que o Homem revela de querer cada vez mais… “Terá esta evolução um limite?”, “Será positiva?”, “Poderá chegar-se a um consenso entre a religião e a ciência?”; “Poderá a ciência metamorfosear-se e passar de “deusa” a “demónio” conduzindo à aniquilação do seu criador, o humano?” – estas e outras questões serão discutidas, tendo a participação de alunos do curso de Ciências e Tecnologias da nossa escola, de um representante da Igreja Católica – O Pe. José Ferreira – e do Professor Doutor Daniel Serrão. O Professor Adriano Basto será o responsável pela moderação do debate.                 

Poderão esclarecer as vossas dúvidas e desenvolver o vosso espírito crítico, ajudando-nos na busca de respostas no que concerne a este controverso assunto.         
 

                Contamos com a vossa colaboração!

O grupo de Trabalho

 

postado por LACCAP às 15:25

16
Fev 09

 

 

 

A lua…

Muitos mitos giram em torno dela tal qual ela se move à nossa volta.

Símbolo de feminilidade e fertilidade foi alvo, desde cedo, da atenção dos mortais.

 

Na mitologia celta representa a mãe tríplice ou deusa mãe e cada uma das suas fases corresponde a uma mulher. (imagem anexa representa a mãe tríplice celta) Todas as crenças celtas são principalmente ligadas ao poder da natureza e da mulher, símbolos de vida e de morte. A lua personifica então a trindade feminina da donzela (crescente lunar que representa a virgindade e a delicadeza), da mãe (lua cheia com o ventre carregado de vida) e da anciã (quarto decrescente que desaparece na noite escura e representa a sabedoria e o poder). A lua nova é Morrígan, é a deusa da guerra que sobrevoa os campos de batalha sobre a forma de corvo, do destino e da morte.

 

 

Da lua surge assim a ideia de ciclo de vida presente em todos os seres. É ela que comanda as marés e é com ela que vemos o tempo passar: o fim e inicio de mais um ano, de mais um mês, de mais uma noite, na nossa breve existência. Um ciclo. Anuncia a chegada da escuridão envolvendo todos os mortais numa aura de mistério e apreensão.

 

O misticismo que a envolve despertou, não só a adoração, mas também o medo.

Os ritos lunares foram, muitas vezes, associados a actos de magia obscuros. Feiticeiras e lobisomens surgem em noites de lua cheia e despertam o pânico nas povoações.

Na idade média muitas mulheres foram perseguidas e condenadas à fogueira, acusadas de cultos sombrios ligados à feitiçaria. Muitos homens foram torturados e julgados sob falso testemunho mas, inundados pelo fervor religioso, todos o consideravam como necessário ao fim do paganismo, para que se guardasse “a pureza da fé”.

 

O homem demonstra, mais uma vez, a necessidade de criar lendas e mitos, em redor daquilo que adora ou teme, seja transformando-o em deus e motivo de veneração ou personificando-o em terrores que o assombram.

 


15
Fev 09

 

Todos os dias esperamos uma aurora e um crepúsculo. Todos os dias esperamos que o sol acorde, nos ilumine e se deite dando lugar à misteriosa lua que irrompe por entre as trevas. O movimento e a beleza dos astros, desde cedo exerceram um grande fascínio sobre os homens. Ao observar o ciclo dos céus o homem acreditou encontrar-se no seu centro, uma posição privilegiada que lhe permitia mostrar o seu poder. Sendo o homem uma obra divina, seria de esperar que lhe fosse conferido este poder.

O geocentrismo é aceite desde a antiguidade grega. Defendido por vários filósofos da época, um deles e mais conhecido Aristóteles, predominou no pensamento humano durante alguns séculos, e mesmo após ter sido refutado por matemáticos como Copérnico apenas se tornou falso muitos e muitos anos depois.

 

A 15 de Fevereiro de 1564 nasceu em Pisa, Itália aquele que iria destronar as ideias geocentristas dando origem ao maior avanço de sempre no conhecimento do universo – o heliocentrismo.

Para além de desenvolver estudos sobre queda de corpos, movimento de projécteis e pêndulos, irrigação e hidrostática, Galileu Galilei foi o primeiro homem a olhar o céu através de instrumentos ópticos como as lunetas o que lhe permitiu descobrir as montanhas da lua, os satélites de Júpiter, os anéis de Saturno e estrelas da Via Láctea.

Após muitos anos a observar o céu verificou também que Vénus possuía fases tal como a lua.

Se o sol e Vénus girassem em volta da terra como ditava o geocentrismo, o planeta apresentaria sempre o mesmo tamanho aparente e seria avistado a qualquer hora da noite em qualquer posição do céu. No entanto Vénus nunca se afasta muito do sol podendo ser visto à tarde ou de madrugada, para além disso o planeta aparentava ser muito maior perto da fase nova do que na cheia.

Assim concluiu que a Terra não poderia ocupar o centro dos céus. No seu lugar estaria uma estrela, o sol, e os restantes corpos celestes girariam à sua volta.

Embora este constituísse o argumento mais sólido da teoria já defendida por Copérnico anteriormente, não se formara ainda uma prova irrefutável. No entanto tornara-se evidente que estas novas formas de interpretar a Terra e o que a rodeia entravam em contradição com a doutrina de Aristóteles.

Tal como tantas outras inovações científicas, o heliocentrismo foi abafado pela igreja pois não ia de encontro aos dogmas até então impostos.

Galileu chegou mesmo a ser preso e julgado pelas suas ideias tendo sido obrigado a abdicar da sua teoria. No entanto o seu orgulho era maior do que a repressão por isso conta-se que ao sair do julgamento Galileu afirmou “Eppur si muove!” (Contudo, ela move-se!).

No decorrer dos séculos a austera igreja continuou convicta na sua posição tendo apenas absolvido Galileu Galilei a 1999.

 

Por mais que o tempo avance e a sociedade se diga mais liberal, a ciência permanecerá a arqui-inimiga da religião.

 


12
Fev 09

 

No dia 12 de Fevereiro de 1809 nascia, na cidade inglesa de Shrewsbury, Charles Darwin o criador da até hoje bem conhecida teoria da evolução que revolucionou a nossa concepção do mundo.

 

A sua obra apenas se tornou possível devido à viagem a bordo do Beagle durante 5 anos na qual observou, registou e recolheu informação relativa a animais e plantas com as quais se deparou ao longo do seu caminho.

Durante a expedição teve a oportunidade de reunir uma grande quantidade de espécies e rochas assim como um grande número de ossos fossilizados. Mas, foi a 7 de Setembro de 1835, quando o Beagle rumou em direcção às Galápagos, que a viagem se mostrou realmente produtiva. Nestas ilhas, Darwin observou a presença de uma grande variedade de tentilhões – 14 espécies distintas que possuíam características muito próprias – cujo bico se adaptara ao tipo de alimento que consumiam.

Após 14 anos a analisar os dados que recolhera na viagem, assim como a ler obras de outros autores, concluiu que os animais tendem a evoluir de forma a se adaptarem ao meio em que se encontram - os mais aptos sobrevivem enquanto que aqueles que não desenvolvem capacidade para tal, acabam por morrer. A este mecanismo denominou de Selecção Natural.

A 1859 Darwin terminou finalmente os seus estudos e publicou “A Origem das Espécies”, onde o ser humano deixou de ser o centro da criação.

O facto desta teoria contrariar as leis de deus gerou grande controvérsia tendo sido alvo de críticas, principalmente por parte da igreja. O evolucionismo opunha-se ao criacionismo ameaçando as crenças religiosas.

No entanto, a teoria de Darwin possuía limitações uma vez que não esclarecia o modo como as características eram transmitidas de geração em geração. Apenas mais tarde com os estudos de Mendel (Gregor Joham Mendel, 1822-1884, que efectuou estudos com a ervilheira Pisum Sativum), Morgan (Thomas Hunt Morgan, 1866-1945, que efectuou experiências com a mosca do vinagre Drosophila Melanogaster) e outros curiosos, se descobriu que essas características se transmitiam através de “factores”, hoje conhecidos por genes. Era o nascimento da genética.

Embora os genes confirmem a veracidade da teoria da evolução, esta continua a ser refutada pelas leis religiosas. A existência de um criador foi desde cedo aceite como verdade absoluta por todas as civilizações. A vida é algo milagroso e portanto deve-se à acção de deus.

Evolução e criação mostram-se incompatíveis pois parece não existir lugar para um ser supremo e criador nas crenças científicas actuais.

A ideia de que deus é tudo e tudo é deus desvanece-se à medida que a ciência avança, no entanto inúmeros religiosos continuam a opor-se à evolução afirmando que esta é uma mentira. “Seis em cada dez norte-americanos acreditam que o criacionismo é uma teoria científica. (…) ” Existem mesmo organizações, como a Truth in Science no Reino Unido, que lutam para que o evolucionismo seja retirado do sistema de ensino ou que, pelo menos, o criacionismo seja ensinado como teoria científica alternativa. Na Sérvia, a ministra da educação Ljiljana Colie chegou mesmo a suspender o ensino da evolução, em 2004, se esta não fosse leccionada juntamente com o criacionismo, tendo sido demitida após o sucedido. Também no estado da Luisiana a mesma lei foi aplicada tendo sido, no entanto, considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal dos Estados Unidos por violar o princípio da separação entre o Estado e a Religião.

 

 

 

 

 

150 anos já passaram desde publicação de “A Origem das Espécies” de Darwin, no entanto a obra continua a causar polémica. Enquanto homens como ele existirem, possuidores de uma curiosidade sem limites, a ciência continuará a progredir gerando novas certezas e incertezas sobre as certezas.

Enquanto a vontade de ir mais além, o sonho, mover o homem, o homem moverá o mundo e verdades absolutas tornar-se-ão mentiras outra e outra vez.

 

 

http://www.truthinscience.org.uk/

http://www.darwin200.org/index.html

http://www.galapagospark.org/png/index.php

http://www.mendelmuseum.muni.cz/en/

http://www.fieldmuseum.org/mendel/

 


08
Jan 09

“São as potências do invisível, o mito (…), a lenda, a chama que desce a iluminar o herói, são essas potências que, fecundando a realidade, tornam a vida digna de ser vivida, ou, melhor, transformam a existência, mero vegetar, em vida, quer dizer, promessa do que não há, perseguição do Impossível, grandeza de alma insatisfeita.”

COELHO, Jacinto do Prado; Diversidade e Unidade em Fernando Pessoa. Editora Verbo (4ª edição); Lisboa 1973.

 

 

Segundo a Mitologia Grega…

…o mundo nasceu de um ovo - um ovo de prata posto no caos pela deusa da noite, Nyx!

 

“In the beginning, before anything else ever was, and when all was empty darkness, Nyx, the birth of night with great black wings, flew alone.

 

In the vast blackness she laid a gleaming egg in which she had hidden the precious seed of life. As time passed the seed grew until the egg burst, and out of it emerged Eros, the god of love – a beautiful youth holding a lighted torch.

 

He broke his shell into two halves. One half rose upwards to form the sky; the other sank below to form the earth. Eros named the sky Uranus – Father Heaven; To Mother Earth he gave the name Gaia.

 

From the sky, then, come the rain – making rivers, lakes and seas, and giving life to the green plants that sprang from the earth.

 

Earth and Heaven were first parents and they gave birth to all gods.”

 

 

Segundo a Mitologia Nórdica…

 

No inicio existia o mundo das névoas (Niflheim) e o mundo do fogo (Musphelhein), e entre eles, um grande vazio (Ginungagap). Nesse vazio, encontraram-se o fogo e a névoa e formaram um grande bloco de gelo que derreteu pela força do fogo eterno e deu origem a um gigante (Ymir) e a uma vaca (Audumbla).

Ymir dormiu durante muitas eras e o seu suor deu origem aos primeiros gigantes. Da vaca, jorrava leite que daria origem a quatro grandes rios que serviriam de alimento a Ymir. Para se alimentar, a vaca lambeu o gelo mas ao fazê-lo deu forma ao primeiro deus – Buro, pai de Borr.

Os Filhos de Borr destroçarm o corpo do gigante Ymir e a partir dele criaram o mundo. As montanhas surgiram dos seus ossos, do seu crânio surgiu o céu e do seu cerebro as nuvens, as árvores foram formadas pelos seus cabelos e o mar pelo seu sangue. As estrelas e os corpos celestiais nasceram de fagulhas de Musphelhein, o fogo.

As estações, os dias e as noites, o tempo, surgiram depois pelas mãos dos deuses.

 

 

Segundo a religião católica…

 

“No princípio, Deus criou os céus e a Terra. (…) Deus contemplou toda a sua obra, e viu que tudo era muito bom. (…) Tendo Deus terminado no sétimo dia a obra que tinha feito, descansou do seu trabalho. Ele abençoou o sétimo dia e consagrou-o, porque nesse dia repousara de toda a obra de criação. Tal é a história da criação dos céus e da Terra.”

 

 

 

Muitos outros povos e suas culturas e religiões poderiam ser aqui citados e seriam muitos e diferentes os mitos da origem do mundo.

Estes mitos surgiram porque o homem tem a necessidade de compreender o que o rodeia, de lhe dar um significado. Teme o desconhecido e por isso procura dar.lhe um sentido, dar.lhe um nome… Quando a resposta parece impossível na sua condição temporal, o homem adiciona algo transcendente à realidade, acrescenta-lhe o fantástico.

 

No entanto, a ciência evolui, a técnica evolui. O homem encontra-se cada vez mais preparado para descobrir o mundo tal como ele é, descodificar os misterios do universo sem ter de se apoiar em deuses e heróis.

O Big Bang, a teoria do átomo primitivo, a teoria do universo pulsante… vêm tentar tomar o lugar dos deuses e quase desvanecem os mitos. Quem sabe se, amanha ou depois, descobriremos uma outra estrela? Quem sabe se, amanha ou depois, uma outra verdade destronará as de hoje? 

 

Ainda assim, a lenda, a chama, o mito, permanecem e permanecerão pois o homem, mais do que racional, é sensivel e tem a necessidade de sonhar…

 


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