15
Fev 09

 

Todos os dias esperamos uma aurora e um crepúsculo. Todos os dias esperamos que o sol acorde, nos ilumine e se deite dando lugar à misteriosa lua que irrompe por entre as trevas. O movimento e a beleza dos astros, desde cedo exerceram um grande fascínio sobre os homens. Ao observar o ciclo dos céus o homem acreditou encontrar-se no seu centro, uma posição privilegiada que lhe permitia mostrar o seu poder. Sendo o homem uma obra divina, seria de esperar que lhe fosse conferido este poder.

O geocentrismo é aceite desde a antiguidade grega. Defendido por vários filósofos da época, um deles e mais conhecido Aristóteles, predominou no pensamento humano durante alguns séculos, e mesmo após ter sido refutado por matemáticos como Copérnico apenas se tornou falso muitos e muitos anos depois.

 

A 15 de Fevereiro de 1564 nasceu em Pisa, Itália aquele que iria destronar as ideias geocentristas dando origem ao maior avanço de sempre no conhecimento do universo – o heliocentrismo.

Para além de desenvolver estudos sobre queda de corpos, movimento de projécteis e pêndulos, irrigação e hidrostática, Galileu Galilei foi o primeiro homem a olhar o céu através de instrumentos ópticos como as lunetas o que lhe permitiu descobrir as montanhas da lua, os satélites de Júpiter, os anéis de Saturno e estrelas da Via Láctea.

Após muitos anos a observar o céu verificou também que Vénus possuía fases tal como a lua.

Se o sol e Vénus girassem em volta da terra como ditava o geocentrismo, o planeta apresentaria sempre o mesmo tamanho aparente e seria avistado a qualquer hora da noite em qualquer posição do céu. No entanto Vénus nunca se afasta muito do sol podendo ser visto à tarde ou de madrugada, para além disso o planeta aparentava ser muito maior perto da fase nova do que na cheia.

Assim concluiu que a Terra não poderia ocupar o centro dos céus. No seu lugar estaria uma estrela, o sol, e os restantes corpos celestes girariam à sua volta.

Embora este constituísse o argumento mais sólido da teoria já defendida por Copérnico anteriormente, não se formara ainda uma prova irrefutável. No entanto tornara-se evidente que estas novas formas de interpretar a Terra e o que a rodeia entravam em contradição com a doutrina de Aristóteles.

Tal como tantas outras inovações científicas, o heliocentrismo foi abafado pela igreja pois não ia de encontro aos dogmas até então impostos.

Galileu chegou mesmo a ser preso e julgado pelas suas ideias tendo sido obrigado a abdicar da sua teoria. No entanto o seu orgulho era maior do que a repressão por isso conta-se que ao sair do julgamento Galileu afirmou “Eppur si muove!” (Contudo, ela move-se!).

No decorrer dos séculos a austera igreja continuou convicta na sua posição tendo apenas absolvido Galileu Galilei a 1999.

 

Por mais que o tempo avance e a sociedade se diga mais liberal, a ciência permanecerá a arqui-inimiga da religião.

 


12
Fev 09

 

No dia 12 de Fevereiro de 1809 nascia, na cidade inglesa de Shrewsbury, Charles Darwin o criador da até hoje bem conhecida teoria da evolução que revolucionou a nossa concepção do mundo.

 

A sua obra apenas se tornou possível devido à viagem a bordo do Beagle durante 5 anos na qual observou, registou e recolheu informação relativa a animais e plantas com as quais se deparou ao longo do seu caminho.

Durante a expedição teve a oportunidade de reunir uma grande quantidade de espécies e rochas assim como um grande número de ossos fossilizados. Mas, foi a 7 de Setembro de 1835, quando o Beagle rumou em direcção às Galápagos, que a viagem se mostrou realmente produtiva. Nestas ilhas, Darwin observou a presença de uma grande variedade de tentilhões – 14 espécies distintas que possuíam características muito próprias – cujo bico se adaptara ao tipo de alimento que consumiam.

Após 14 anos a analisar os dados que recolhera na viagem, assim como a ler obras de outros autores, concluiu que os animais tendem a evoluir de forma a se adaptarem ao meio em que se encontram - os mais aptos sobrevivem enquanto que aqueles que não desenvolvem capacidade para tal, acabam por morrer. A este mecanismo denominou de Selecção Natural.

A 1859 Darwin terminou finalmente os seus estudos e publicou “A Origem das Espécies”, onde o ser humano deixou de ser o centro da criação.

O facto desta teoria contrariar as leis de deus gerou grande controvérsia tendo sido alvo de críticas, principalmente por parte da igreja. O evolucionismo opunha-se ao criacionismo ameaçando as crenças religiosas.

No entanto, a teoria de Darwin possuía limitações uma vez que não esclarecia o modo como as características eram transmitidas de geração em geração. Apenas mais tarde com os estudos de Mendel (Gregor Joham Mendel, 1822-1884, que efectuou estudos com a ervilheira Pisum Sativum), Morgan (Thomas Hunt Morgan, 1866-1945, que efectuou experiências com a mosca do vinagre Drosophila Melanogaster) e outros curiosos, se descobriu que essas características se transmitiam através de “factores”, hoje conhecidos por genes. Era o nascimento da genética.

Embora os genes confirmem a veracidade da teoria da evolução, esta continua a ser refutada pelas leis religiosas. A existência de um criador foi desde cedo aceite como verdade absoluta por todas as civilizações. A vida é algo milagroso e portanto deve-se à acção de deus.

Evolução e criação mostram-se incompatíveis pois parece não existir lugar para um ser supremo e criador nas crenças científicas actuais.

A ideia de que deus é tudo e tudo é deus desvanece-se à medida que a ciência avança, no entanto inúmeros religiosos continuam a opor-se à evolução afirmando que esta é uma mentira. “Seis em cada dez norte-americanos acreditam que o criacionismo é uma teoria científica. (…) ” Existem mesmo organizações, como a Truth in Science no Reino Unido, que lutam para que o evolucionismo seja retirado do sistema de ensino ou que, pelo menos, o criacionismo seja ensinado como teoria científica alternativa. Na Sérvia, a ministra da educação Ljiljana Colie chegou mesmo a suspender o ensino da evolução, em 2004, se esta não fosse leccionada juntamente com o criacionismo, tendo sido demitida após o sucedido. Também no estado da Luisiana a mesma lei foi aplicada tendo sido, no entanto, considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal dos Estados Unidos por violar o princípio da separação entre o Estado e a Religião.

 

 

 

 

 

150 anos já passaram desde publicação de “A Origem das Espécies” de Darwin, no entanto a obra continua a causar polémica. Enquanto homens como ele existirem, possuidores de uma curiosidade sem limites, a ciência continuará a progredir gerando novas certezas e incertezas sobre as certezas.

Enquanto a vontade de ir mais além, o sonho, mover o homem, o homem moverá o mundo e verdades absolutas tornar-se-ão mentiras outra e outra vez.

 

 

http://www.truthinscience.org.uk/

http://www.darwin200.org/index.html

http://www.galapagospark.org/png/index.php

http://www.mendelmuseum.muni.cz/en/

http://www.fieldmuseum.org/mendel/

 


24
Dez 08

Explicação através das leis da física (de autor incógnito) para a inexistência do Pai Natal.

 

“Na Terra, há cerca de dois mil milhões de crianças (por criança, entende-se todo o indivíduo com menos de 18 anos). Contudo, como o Pai Natal não vai visitar as crianças muçulmanas, hindus, judias ou budistas (salvo eventualmente no Japão), o volume de trabalho para a noite de Natal fica eventualmente reduzido a 15% do total, ou seja, a 378 milhões. Contando uma média de 3,5 crianças por casa, temos 108 milhões de casas. O Pai Natal dispõe de cerca de 31 horas de trabalho na noite de Natal, devido à existência de diferentes fusos horários e à rotação da Terra, admitindo a hipótese de que viaja de Leste para Oeste, o que, de resto, parece lógico.

Tal equivale a 967,7 visitas por segundo, o que significa que para cada lar cristão com uma criança bem comportada pelo menos, o Pai Natal dispõe de cerca de um milésimo de segundo para estacionar o trenó, sair, descer pela chaminé, encher as meias com as prendas, distribuir o resto dos presentes junto ao pinheiro, provar as guloseimas que lhe deixam, voltar a subir a chaminé, saltar para o trenó e dirigir-se para a casa seguinte.

Supondo que essas 108 milhões de paragens se distribuem uniformemente à superfície da Terra (hipótese que sabemos falsa, mas que aceitamos como primeira aproximação), teremos que contar com cerca de 1,4 km por trajecto, o que significa uma viagem total de mais de 150 milhões de quilómetros, sem contar com os desvios para reabastecimento ou fazer chichi.

O trenó do Pai Natal desloca-se pois à velocidade de 1170 km/s (3000 vezes a velocidade do som). A título de comparação, o veículo mais rápido fabricado pelo homem, a sonda Ulisses, não vai além dos 49 km/s e uma rena média consegue correr quando muito a 27 km/h. A carga útil do trenó constitui igualmente um elemento interessante. Supondo que cada criança apenas recebe o equivalente a uma caixa de Legos média (cerca de um quilo), o trenó suporta mais de 500 mil toneladas, sem contar com o peso do Pai Natal. Em terra, uma rena convencional não consegue puxar mais de 150 kg. Mesmo supondo que a famosa "rena voadora" tem um desempenho dez vezes superior, o Pai Natal não consegue cumprir a sua missão com 8 ou 9 animais; precisará de 360 000, o que vem aumentar a carga útil em mais 54 000 toneladas, abstraindo já do peso do trenó, o que corresponde a sete vezes o peso do Príncipe Alberto (o barco, não o monarca). 600 000 toneladas a viajar a 1170 km/s produzem uma enorme resistência do ar, a qual provoca um aquecimento das renas, tal como um engenho espacial ao entrar na atmosfera terrestre. As duas renas da frente absorveriam cada uma a energia de 14 300 milhões de joules por segundo. Em resumo, entrariam quase instantaneamente em combustão, pondo perigosamente em risco as duas renas seguintes. O rebanho de renas vaporizar-se-ia completamente em 4,26 milésimos de segundo, isto é, o tempo exactamente necessário ao Pai Natal para chegar à quinta casa.

Tal, porém, não é o pior. O Pai Natal, passando fulgurantemente da velocidade instantânea nula a 1170 km/s num milésimo de segundo, ficaria sujeito a uma aceleração tremenda. Um Pai Natal de 125 quilogramas (que seria ridiculamente magro) ver-se-ia esmagado contra o fundo do trenó por uma força de 2157 507,5 quilogramas-força, o que lhe reduziria instantaneamente os ossos e os órgãos a uma pequena massa pastosa.”

 

Isto é, se o Pai Natal alguma vez existiu… já está morto!

 

Para quem realmente acredita em algo, explicações científicas, por vezes, pouco ou nada valem. O homem é maior do que a ciência.

A ciência é a criação dos mitos e dos sonhos. Se o homem não sonhasse, não se questionasse, não reflectisse sobre o próprio mito, provavelmente a ciência, como nós a conhecemos, não existia.

Por mais leis da física que aqui sejam aplicadas para a explicação da existência ou não do pai natal, a verdade é que aquilo que ele representa permanece em cada um de nós. A união, a família, a paz, o pensar mais nos outros do que em nós, o estender a mão aos que mais precisam, colocar as dificuldades e as tristezas de parte por umas horas… sobrevivem sempre.

 

“Imagination is more important than knowledge.” Albert Einstein

 

Nesta quadra, não se deixem apenas guiar pela ciência mas por aquilo que moveu, move e moverá o homem em qualquer estádio da sua evolução.

…Sonha!

 

“Eles não sabem que o sonho

é uma constante da vida

tão concreta e definida

como outra coisa qualquer,

como esta pedra cinzenta

em que me sento e descanso,

como este ribeiro manso

em serenos sobressaltos,

como estes pinheiros altos

que em verde e oiro se agitam,

como estas aves que gritam

em bebedeiras de azul.

 

eles não sabem que o sonho

é vinho, é espuma, é fermento,

bichinho álacre e sedento,

de focinho pontiagudo,

que fossa através de tudo

num perpétuo movimento.

 

Eles não sabem que o sonho

é tela, é cor, é pincel,

base, fuste, capitel,

arco em ogiva, vitral,

pináculo de catedral,

contraponto, sinfonia,

máscara grega, magia,

que é retorta de alquimista,

mapa do mundo distante,

rosa-dos-ventos, Infante,

caravela quinhentista,

que é cabo da Boa Esperança,

ouro, canela, marfim,

florete de espadachim,

bastidor, passo de dança,

Colombina e Arlequim,

passarola voadora,

pára-raios, locomotiva,

barco de proa festiva,

alto-forno, geradora,

cisão do átomo, radar,

ultra-som, televisão,

desembarque em foguetão

na superfície lunar.

 

Eles não sabem, nem sonham,

que o sonho comanda a vida,

que sempre que um homem sonha

o mundo pula e avança

como bola colorida

entre as mãos de uma criança.”

António Gedeão, Pedra Filosofal

 

 


04
Dez 08

 

 

  

Mito

1. relato das proezas de deuses ou de heróis, susceptível de fornecer uma explicação do real, nomeadamente no que diz respeito a certos fenómenos naturais ou a algumas facetas do comportamento humano; (…) 3. elaboração do espírito essencialmente ou puramente imaginativa; Do grego mythos, “palavra expressa” pelo latim mythu-, “fábula; mito”

In Grande Dicionário – Língua Portuguesa, Porto Editora, 2004

Ciência

 

 

A ciência é a investigação racional ou o estudo da Natureza, direccionado à descoberta da verdade. “A ciência não se considera a dona da verdade absoluta e inquestionável.”

 

 

Técnica

A técnica é o braço da ciência. É o saber científico que nasce da curiosidade e se vai continuar num “saber fazer” – a técnica.

A técnica trabalha ao serviço da satisfação das necessidades de sobrevivência e adaptação às condições de um habitat natural por vezes hostil. Este saber fazer visa a harmonizar sempre as ambições do homem cultural com o homem natural. 

 

 

Ao longo da história da Humanidade, os progressos realizados no campo da ciência e da técnica foram, a inicio, extraordinariamente lentos. Nos nossos tempos esta evolução tomou proporções gigantescas a uma velocidade inquietante.

 

Graças à grande quantidade de conhecimentos científicos e tecnológicos, o ser humano encontra-se agora em posição de modificar a Terra. Porém, isto dá lugar a toda uma série de conflitos éticos, morais e mesmo legais. A par de toda esta evolução, de todo este poder que cada vez mais temos em mão, torna-se também surpreendente que em determinadas civilizações não se tenham realizado certas descobertas – “Os Incas, por exemplo, erigiram construções maravilhosas, dedicaram-se à agricultura e à olaria mas não implantaram a roda como meio de transporte.”

 

 

 

“A história da Ciência e da Técnica remonta à noite dos tempos, formando um triângulo “mágico” entre o conhecimento humano, o seu desenvolvimento e a sua aplicação.”

 

Ilustrações: John William Waterhouse, The Magic Circle (1886) e Giger 

 

postado por LACCAP às 18:42

08
Nov 08

Somos um grupo de estudantes do 12º ano da Escola Secundária de Amarante que, no âmbito da disciplina de área de projecto, tem como objectivo desenvolver um projecto subordinado ao tema: “Da Mentalidade Mítica à Mentalidade Tecno-científica”.

A realização deste blog servirá para que ao longo do desenvolvimento do projecto este possa ser acompanhado pelos leitores.

 

O projecto consistirá numa análise comparativa entre a mentalidade mítica e a actual e moderna era da ciência e da técnica.

Faremos uma viagem através do tempo partindo da época onde tudo o que rodeava o ser humano era personificado em deuses e fantasias e onde o culto e os rituais possuíam um papel muito importante nas suas vidas. Caminharemos através do tempo, lado a lado com o homem guerreiro, corajoso e invencível que conquista impérios através da força e da estratégia e, acompanhando esta evolução do pensamento humano, chegaremos à mentalidade Tecno-científica. Era da ciência, da clonagem, da manipulação genética, da exploração, da descoberta, da estrela ao átomo, da técnica… Mas o homem tanto cria como destrói, e é aqui que entra a discussão de valores éticos, é aqui que nos questionamos do quão longe podemos e devemos ir.

 

Pretendemos não só aprofundar o nosso conhecimento sobre estas áreas, mas também discuti-las, realizando uma análise crítica sobre estas questões das quais parece depender o nosso futuro, o futuro da humanidade.

 

Informação subordinada ao tema e actividades serão postadas posteriormente e ao longo da sua realização.

Contamos com a colaboração e participação dos leitores, dando opiniões e fazendo sugestões.

 

Ana Isabel Pinto, Ana Lopes, Cláudia Freitas,

Cláudia Marinho, Liliana Silva e Patrícia Queirós.

 


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